NÚCLEO DE ESTUDOS, PESQUISAS E EXTENSÃO EM EDUCAÇÃO, ESPIRITUALIDADE E SOCIEDADE DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Estudos sobre o amor - Jurandir Freire Costa
Depois de uma pergunta de uma estudante em sala, não paro de estudar buscando resposta a essa questão filosófica: "será o amor, tal como o vivemos hoje, um fruto da sociedade capitalista?". Estou adorando ler o livro do Jurandir sobre o tema, e aqui deixo um trechinho para inspirar reflexões.
"O amor romântico, portanto, como qualquer emoção humana, não é feito só de virtudes. Ele carrega um potencial de individualismo e preocupação obsessiva com o próprio bem-estar que pode nos tornar absolutamente indiferentes a tudo e a todos ao redor.
Não se trata, é óbvio, de “reprovar o amor” ou os que pretendem dedicar a vida à realização amorosa; trata-se de mostrar que esse objetivo não está além do bem e do mal. Existe uma grande diferença em afirmar que o amor romântico é um estado afetivo que pode nos fazer muito felizes e que, por isso, pode ou deve ser buscado por quem de direito e apresentar o romantismo como uma obrigação moral universal. No último caso, fazemos de uma possibilidade, necessidade e reforçamos a crença de que todos os que não conseguem amar, no código do romantismo, são pessoas fracassadas, frágeis, insensíveis, “não resolvidas”, do ponto de vista psicológico.
O amor romântico, repito, é uma emoção mundana, comprometida, entre outras coisas, com valores estéticos e morais diretamente ligados a interesses de classe social, situação econômico-cultural e preconceitos raciais, sexuais ou religiosos dos amantes. Longe de ser uma emoção pura, inocente ou “divina”, o romantismo amoroso é uma busca de satisfação sexual e sentimental nem mais nem menos legítima do que outras às quais damos as costas por que estamos empenhados, dia e noite, em amar e ser amados.
O problema, em meu entender, não é conceber “um mundo sem amor”, coisa que julgo inimaginável, mas observar como funciona “um mundo com amor”, ou melhor, um mundo hipnotizado pela obsessão amorosa. Um mundo sem amor é uma conjectura a ser explorada, no melhor dos casos, pela ficção científica; um mundo que gira em torno do amor é uma realidade palpável para os que pertencem às classes privilegiadas das sociedades ocidentalizadas. Esse mundo está muito distante do “mundo-cor-de-rosa” da publicidade hollywoodiana. É um mundo, ao contrário, muitas vezes soturno, triste, deprimido, belicoso, voltado para expectativas que redundam em ciúmes destrutivos, possessividade compulsiva, ódios, ressentimentos, violências contra os ex-parceiros, sentimentos de derrota, mesquinharias em disputas econômicas, vilanias na manipulação de familiares, menosprezo dos que são batidos nas disputas amorosas etc.
O culto irrefletido ao amor romântico é verdade, pode nos levar aos céus do êxtase apaixonado. Mas também pode nos fazer viver, de modo quase permanente, no inferno de uma vida sem alegria, dilacerada pela falta de sentido e de esperanças. Assim, não se trata de mudar o amor porque não se pode mudar o mundo; trata-se de mudar o mundo e ver como podemos mudar nossos modos de amar. Da mesma forma que, ao longo da história, fomos capazes de mudar nossas concepções de justiça, igualdade, liberdade, fraternidade, amizade, amor a Deus, responsabilidade paternal, usufruto da sexualidade, compromisso com o outro etc., podemos, igualmente, experimentar formas de amor que sejam mais satisfatórias. Nem tudo na vida depende de nosso desejo, esforço ou boa vontade, mas muitas coisas dependem da confiança que temos em nosso poder de alterar estados de coisas que podem ser mudados pela forma com que aprendemos a percebê-los, interpretá-los e vivê-los."
Jurandir Freire Costa, no livro "Razões públicas, emoções privadas" p. 133 e 134 (capítulo em que se dedica a responder questões apresentadas sobre seu outro livro: "Sem fraude, nem favor: estudos sobre o amor romântico")
terça-feira, 19 de março de 2013
Professor e aluno - lição espiritual de Gandhi
Esse texto do Gandhi é muito importante para mim. Como educador, percebi a importância da coerência ética de minha própria vida. Percebo que minha oratória fica vazia quando o que eu falo não é acompanhado de atitudes. Mesmo que ninguém saiba... eu sei. Então percebi que para ensinar era preciso um compromisso maior com a vida.
Outro momento importante que vivi foi quando, ainda na minha primeira turma, nas primeiras aulas, li o evangelho de Mateus e ali encontrei: "qualquer, pois que violar um destes mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele porém que os cumprir e ensinar será grande no Reino dos Céus" (Mt 5, 19). Lendo isso tive um insight poderoso acompanhado de um estremecimento interno: ensinar é coisa seríssima. Não me afastei, até hoje, dessa impressão profunda que a fala de Jesus me proporcionou. E no contato com os meus alunos, sempre trago essa verdade comigo.
Aí vai o texto do Gandhi:
"É possível que um instrutor, a quilômetros de distância, influencie por seu modo de vida o espírito dos alunos. Para mim, seria inútil ensinar os meninos a dizer a verdade se eu fosse um mentiroso. Um professor covarde jamais conseguirá tornar valentes os seus discípulos, e um desconhecedor do autocontrole não passará para seus alunos o valor da autodisciplina. Vi, portanto, que precisaria ser um eterno objeto-lição para os meninos e meninas que viviam comigo. Dessa forma eles se tornaram meus professores, e assim aprendi que preciso ser bom e viver com retidão - se não por mim, pelo menos por eles. Posso dizer que a disciplina e o autocontrole, cada vez maiores, que me impus na Fazenda Tolstoi eram devidos principalmente a esses meus guardiães."
Mohandas K. Gandhi, Autobiografia, p. 294
Paz!
André
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
DA NATUREZA ESPIRITUAL DO TRABALHO INTELECTUAL II
Será possível pensarmos a respeito do trabalho intelectual de maneira isolada, à parte, sem conexão com outra modalidades de trabalho?
É claro que podemos pensar e escrever o que quisermos, com o objetivo que quisermos, da forma que quisermos. Então a questão é: como pensar o trabalho intelectual a partir de uma Perspectiva Espiritualizada (que transcenda o ego e portanto não tenha como motivação a vaidade, a busca de fama, o desejo de poder pessoal e tantas outras ilusões)? Aí faz sentido recolocar a questão: será que faz algum sentido pensarmos o trabalho intelectual - única e exclusivamente - a partir de sua especificidade? Ainda que tendo suas peculiaridades, como aliás todas as formas de trabalho as tem, penso que o trabalho intelectual (numa perspectiva a partir do espírito) precisa ser pensado no contexto do Trabalho Maior: o Trabalho sobre Si mesmo, o Trabalho de Autoconhecimento e Auto-Transformação. Isso implica, necessariamente, em buscarmos uma sintonia mais fina entre aquilo que pensamos-escrevemos-falamos e aquilo que efetivamente sentimos-acreditamos-buscamos vivenciar, praticar.
Dando mais um passo à frente e acima: O Trabalho enquanto Serviço, colaboração à Humanização. Isso, sem dúvida, irmana todas as modalidades de trabalho porque, afinal, pouco importa se estamos com uma caneta, um teclado ou uma enxada ou vassoura nas mãos ou diante de nós.O que realmente conta (em termos espirituais, em termos da nossa própria Humanização, do Encontro com nós mesmos e com a Divindade que nos habita) é a intenção, a dedicação e O Amor com que realizamos as nossas atividades laborais, sejam elas quais forem. É estarmos inteiros, estarmos presente naquilo que estamos fazendo. E isso ainda que seja uma coisa bem simples não é tão fácil, acostumados que estamos a agir no "piloto automático", ausentes de nós mesmos, tarefeiros, executores automáticos de tarefas pré-programadas que realizamos com as mãos ou com a cabeça, mas a mente, o coração frequentemente estão em outro lugar, caminhando em outra direção. Tarefas executadas sem concentração. Resultado: esgotamento físico e mental, desânimo, e até mesmo (o que frequentemente acontece) acidentes.
Na medida em que nos Consagramos (Dedicamos de Coração) àquilo que estamos realizando e o fazemos com consciência, inteiros, os frutos serão sempre saborosos, positivos. Simplesmente porque, seguindo a nossa Intuição faremos o que necessita ser feito, não estaremos preocupados com resultados ("o futuro a Deus pertence") e colheremos o que tivermos que colher. Porque não buscamos glória, reconhecimento, recompensa: nos colocamos no lugar de instrumento. Instrumento da Vida, da Natureza, do Universo, ou se preferirmos, de Deus, do Sagrado, Senhor-Senhora do Universo.
Então a questão central volta a se apresentar: o que é que queremos fazer de nossa Vida, de nossa breve estada por esta Terra-Mãe que generosa e amavelmente nos acolhe? Onde está o nosso Coração? Quais as nossas prioridades? Sem nos colocarmos estas questões iniciais penso que o trabalho intelectual assim como qualquer outra modalidade de Trabalho perderá sua Força Transformadora e sua verdadeira razão de ser: instrumento a Serviço do Trabalho Maior de chegarmos um dia a sermos Quem realmente somos (manifestação do Sagrado no Mundo -" imagem e semelhança...." em tudo aquilo que temos de original e de comum com os Outros).
Felicidades, Saúde, Paz, Alegria e Prosperidade a toda Humanidade!
Carinhosa e afetuosamente,
Carlos Parada.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
DA NATUREZA ESPIRITUAL DO TRABALHO INTELECTUAL
Durante um bom tempo nestes meus 56 anos de Vida, 35 dos quais em sala de aula ocupando este Sagrado Lugar de Educador, passei por diversas crises de "identidade intelectual". Algumas vezes me achava incompetente porque não conseguia (e ainda não consigo) escrever por escrever, escrever simplesmente para demarcar território, para competir, para atrair os holofotes em minha direção. Não é que eu já esteja imune a este mecanismo de defesa egóico, fruto de carências.... é que ainda utilizo outros expedientes para adquirir reconhecimento, ser aceito e outras ilusões deste "eu apequenado". Em outros momentos achava que não tinha o que dizer (e não tinha mesmo) e que valesse a pena ser compartilhado. Às vezes achava que estava no lugar errado, que deveria arrumar outra coisa prá fazer porque o "trabalho intelectual" me parecia demasiadamente enfadonho, desinteressante, até mesmo inútil. Em suma: eu me via muito distante do modelo de intelectual e do tipo de trabalho intelectual predominantes.
O historiador Jacques Le Goff, em seu Os intelectuais na Idade Média, dá algumas pistas de como este modelo predominante de intelectual ainda presente nas Universidades e em outros espaços, se constituiu. Aí podemos antever a "mumificação" do intelectual, coisa tão comum em nossos dias.
Em recente (abril 2012) entrevista à Revista Bravo, o poeta, professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, Padre Daniel Lima, declama um trecho de poema de sua autoria que -a meu ver- melhor define o perfil de intelectual ainda predominante entre nós. Ele diz assim: "O intelectual é um urubu, que pensa que está vestido mas que está nu, com a pena de pavão enfiada no cu". Pronto: perfeito.
Mas não estamos aqui para condenar o intelectual, nem tão pouco este triste modelo de "intelectual". Nos colocando no lugar de compreender aí podemos decifrar seres humanos frágeis, inseguros, que necessitam do orgulho e da arrogância como mecanismos de auto-ilusão, de modo a esconder de si mesmos, seus complexos de inferioridade, suas carências e temores. Armadilhas do ego...
(vamos ver se consigo retomar o fio da meada pois, pai solteiro que estou, tive que fazeruma breve pausa para, aproveitando o sol, estender as roupas de minhas filhas no varal ).
Pois bem, qual será então o "modelo" de intelectual que possa justificar (para além das agências financiadoras, do mercado editorial, etc.) sua existência nos dias atuais?
Vou falar a respeito de algo que tenho experiência: vou olhar para minhas próprias vivências. Não que eu me ache um "intelectual modelo". Quero aqui ater-me ao quando e como passei a encontrar sentido em minhas práticas intelectuais.
No auge da "crise de identidade intelectual", um dia cheguei em casa com muita raiva daquela turma de estudantes de História da disciplina Prática de Ensino. Por mim não voltava mais lá. Pra piorar (ou melhorar) ainda mais as coisas tive que escutar da boca da minha então mulher: "será que o problema não estará em você que ainda não conseguiu chegar até eles?". Pronto: esta a chave que me abriu algumas portas. Não que eu responsabilize o professor, 100%, pelo fracasso da educação formal... mas reconheço que cabe a ele romper com os padrões que impedem a realização de práticas verdadeiramente educativas.
Passei desde então a olhar mais para mim até perceber (emocional e racionalmente) que minhas práticas pedagógicas não estavam desvinculadas de meu Ser e Estar no Mundo. Havia muita incoerência entre o que eu pretensamente ensinava e o que praticava cotidianamente. Minhas palavras saiam do arquivo residente na minha cabeça, não brotavam de meu coração. Eram palavras vazias de vida e que, portanto, não poderiam chegar ao coração de ninguém. Mero eruditismo, pedantismo intelectual. Não havia sintonia entre o que eu pensava, falava, sentia e praticava. À fragmentação de mim mesmo correspondia a fragmentação de conteúdos, metodologias, abordagens, teoria e prática.
Daí prá frente fui me dando conta, paulatinamente, de que o trabalho reflexivo só faz sentido se puder, primeiramente, me possibilitar me transformar em uma pessoa melhor: mais coerente, amável, responsável, solidário, generoso, etc. Em suma: em sua raiz é bom, e essencial, que esteja a decisão de Servir. Servir ao desenvolvimento humano (libertação de tudo o que nos escraviza e nos torna míopes ou cegos à Realidade e nos faz prisioneiros das ilusões) e integral dos seres, das sociedades. A busca não é pelo sucesso, pelo reconhecimento. É o desejo de conhecer a si mesmo, tornar-se melhor, para que o mundo possa ser melhor. Colaborar na diminuição dos sofreres individuais e coletivos. Transitar pelo mundo causando menos sofrimento possível a si e aos outros. É a esta perspectiva que estou chamando "natureza espiritual" do trabalho intelectual.
Nesta empreitada já são em número significativo os autores que nos precederam neste Caminho e podem vir em nosso auxílio. Dentre eles: Gurdjieff, Ouspensky, Gusdorf, Graf Durckheim, Carlos Byington, Leloup, Helen Palmer, Milton Santos, Humberto Maturana, Blavatski, Peter Brook, Grotowski, Chopra, Clarissa Pínkola, Claudio Naranjo, Márcia Campbell, Miria de Amorim, D.T. Suzuki, Margareth Martins, Andre Andrade Pereira, Cristina Delou, Joseph Campbell, Mircea Eliade, Rudolf Otto, Dora Incontri, Pierre Weil, Gloria Lotfi, Regis de Moraes, Ruy Cesar do Espírito Santo e tantas outras e outros.
Até breve,
Carlos Parada.
Até breve,
Carlos Parada.
domingo, 6 de janeiro de 2013
O SIGNIFICADO PEDAGÓGICO-ESPIRITUAL DAS DATAS RELIGIOSAS
Às vezes, num lampejo de lucidez, (quando o orgulhoso e infantil ego, sempre na defensiva, cochila) me dou conta das inúmeras oportunidades de aprendizado que deixei passar em minha vida. Uma delas está relacionada à força simbólica (energética para aqueles que assim podem/preferem compreender) das datas religiosas. Hoje, por exemplo, a Igreja Católica e outras Tradições Espirituais celebram a Festa da Epifania (popularmente Dia de Reis) comemorando a Revelação, a Manifestação, de Jesus ao Mundo.
Um primeiro aprendizado possível nos fala das simbologias aí presentes. Os Magos (astrólogos, estudiosos do Universo) devido a virtude da Humildade seguem, sem questionar, sem discutir, O Caminho apontado pela Estrela (símbolo do Ser, do Conhecimento, A Luz). Durante o percurso se deparam com a figura de Herodes (protótipo do eu apequenado, doentio, exaltado, apegado ao poder), o ego em uma de suas mais obscuras manifestações. Numa manjedoura encontram O Senhor Supremo, Humilde, Desarmado, Pequenino em sua Infinita Grandeza: A Criança Divina. Em sinal de Reconhecimento e Gratidão oferecem significativos presentes: ouro (Realeza: O EU), o incenso (Sacerdócio; aquele que é Consagrado, O Servidor); a mirra (Profeta: aquele que Anuncia, que desvela a Divindade adormecida na Humanidade; que Desperta aqueles que dormem, presas do próprio ego, esquecidos do Eu Divino que habita todos os corações).
Uma outra possibilidade, também bem importante, nos remete à jornada mais íntima e profunda de cada um de nós: àquilo que nos irmana, nos iguala ao mesmo tempo em que nos diferencia: a viagem em direção a Si mesmo. Assim, a Solenidade de Hoje nos convida a darmos mais um passo em direção à nossa Essência, "self", Eu Verdadeiro: Criança Divina. Reconhecendo que não somos "apenas" o corpo que habitamos, não somos "apenas" a nossa História. A bem da verdade: não é saudável, tanto espiritual quanto emocionalmente, que nos identifiquemos com nosso corpo (com suas mazelas, dores, prazeres, desejos, limites e possibilidades) nem com nossa História (com suas derrotas e vitórias; tristezas e alegrias). Pois que somos mais que estas realidades passageiras, que estas memórias. Estas, por serem transitórias (da mesma maneira que o ego) devem ser colocadas a Serviço do Eterno que nos habita, de nossa Natureza Divina. Este um dos marcos do dia de hoje: a manifestação da Divindade que habita cada um de nós: Namastê (dizem os budistas: A Divindade que em mim habita saúda A Divindade que em ti habita).
Este Reconhecimento (da nossa Natureza Divina) é o que nos permite transcender as incertezas e medos diante dos desafios cotidianos. A Rememoração de que somos Reis (podemos ser Reis da nossa Vontade, no domínio das paixões que por vezes nos governam, sendo Senhores das forças inconscientes que muitas vezes nos manipulam e dirigem; Reis da nossa Palavra, fazendo-a verdadeira, confiável, Palavra Amorosa), Sacerdotes (consagrados pela Vida, por esta oportunidade de estarmos nesta Escola, a sermos Servidores da Vida, da Paz, do Amor, do Eu, Educadores do ego, eternos aprendizes e Profetas (percebendo e reconhecendo a Riqueza do momento Presente; desejando ardentemente despertar, acordar (escutar O Mestre Coração), anunciando para nós mesmos que Hoje é O Tempo Favorável do Recomeçar, do Renascer).
Que possamos com Humildade e Simplicidade (atitudes estas essencialmente pedagógicas) aproveitar mais esta oportunidade de nos Consagrarmos e Renovarmos nossos compromissos com este Belo Ofício de Educadores, Educadores de nós mesmos, dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos, das nossas emoções, das nossas palavras, das nossas atitudes. Educadores pelo Bom Exemplo.
Felicidade a todos!
Carlos Parada.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O SAGRADO OFÍCIO DO
EDUCADOR
O
estimado educador e psicoterapeuta Dr. Carlos Amadeu Byington em seu belíssimo
e fundamental livro "A construção amorosa do saber: fundamentos e
prática da Pedagogia Simbólica Junguiana" nos alerta para uma das necessidades inerentes ao nosso
Ofício de Educadores: a de nos assumirmos eternos aprendizes para podermos ser
educadores.
A
Vida, esta Escola Fantástica, nos oferece a cada dia, nos menores e às vezes
(para os menos atenciosos) “insignificantes” acontecimentos a oportunidade
ímpar de nos vermos frente a frente com nossas
pequenezas e com nossas grandezas. É verdade que, diante da maioria das situações que vão de
encontro aos nossos pequenos (ainda que
travestidos de grande importância) desejos egóicos, a reação primeira é buscar
culpados, reclamar das circunstâncias, nos sentirmos injustiçados, nos
culparmos e etc... Ou seja: em tudo podemos aprender um pouco mais a respeito
de nós mesmos. E assim, corrigirmos rumos, negarmos ou reafirmarmos princípios,
tomarmos decisões, caminhando rumo a construção de nós mesmos. Melhor:
caminhando ao encontro da nossa essência, do nosso Ser Verdadeiro, nosso
“self”. Sem temor afirmo que aí está uma receita infalível para a felicidade.
Nestes dias, ouvindo meus colegas
de trabalho, e olhando para meus hábitos reclamatórios, me dei conta da nossa
cegueira. Se olharmos para a nossa situação de professores das Instituições
Federais de Ensino Superior veremos que comparativamente às agruras vivenciadas
por nossos colegas das redes municipais, estaduais e mesmo particulares (exceto
algumas situações específicas) vivemos num oásis. É verdade que nossas perdas
salariais e aumento de trabalho dos anos mais recentes é fato inegável. Mas,
daí justificar o desânimo, o
descompromisso e a omissão de alguns... Penso que nos fazemos cegos e ingratos.
Ingratos primeiramente com a Vida que nos concede esta oportunidade do
Exercício Sagrado do Magistério. Aqui cabe lembrar o psicoterapeuta Roberto
Crema, reitor da Unipaz, que numa afirmação extremamente feliz nos diz que
“O Serviço é o Viço de Ser”. Talvez aqui
esteja uma possível resposta aos desalentos de muitos: a perda de vista da Sacralidade do Ofício do Educador. Não estou
falando de abnegação , diletantismo...(embora às vezes até isso se apresente como necessário),
em “trabalhar de graça”, ser explorados sem lutar por melhores condições de
trabalho. Estou tratando de algo muito mais profundo: estou me remetendo à
identidade primeira e última da nossa vocação docente: “a formação das
consciências”, a começar a partir de nós mesmos (de nossa maneira de estarmos
no mundo, do jeito como nos relacionamos conosco mesmos, com nossas memórias,
com nossas dores, com nossas alegrias; a maneira como nos relacionamos com os
outros, com as coisas, com as nossas ideias e crenças; com nossa profissão.
A educação pelo exemplo. Pois que “o trabalho da educação, sejam quais forem as
suas particularidades, é primeiramente e acima de tudo um trabalho de si sobre
si mesmo”, já advertia o filósofo Georges Gusdorf no imperdível “Professores
para que?” . Por uma Pedagogia da Pedagogia. Assim sendo, o Trabalho deve
começar -necessariamente- a partir de
nós mesmos, em nós mesmos, em nosso Coração. A perda deste horizonte é, a meu
ver, uma das causas centrais do fracasso da Educação (na maioria das Famílias,
Escolas, Religiões e em outros tantos
espaços com Vocação Pedagógica).
Então,
se o “magistério adoece tanto” não é tão somente por carga horária excessiva ,
baixos salários, etc... mas, primeiramente e sobretudo, pela perda de sentido
em suas vidas, o que inevitavelmente reflete no exercício da profissão. E
Ofício de Educador sem entusiasmo, sem dedicação (consagração), sem alegria
torna-se simplesmente impossível de existir. A menos que nos contentemos em ser
meros transmissores de ideias de segunda e mesmo de primeira mão, de conteúdos
descartáveis ou não, e tc e tal. O que, decididamente, não é o caso.
Então,
quando falamos de uma Educação Espiritualizada estamos nos remetendo a estes
educadores, aprendizes permanentes da Vida, que por se disporem a aprender
podem começar a ensinar; que se esforçam por praticar aquilo que ensinam; que
se humanizam em suas práticas pedagógicas; que percebem que o Ofício de Ensinar
é Sagrado, Belo, Essencial. Percebem-se pequenos, mas reconhecem a grandeza da
sua Missão. Por isso buscam educar-se primeiramente, acolhendo com respeito,
humildade e serenidade, TUDO o que a Vida lhes oferece.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
EDUCAÇÃO DO EGO - CURA DA CRIANÇA FERIDA
Mais uma oportunidade nos é oferecida, nesta Escola que é a Vida.
Paz e Felicidades a todos.
Minha Gratidão,
CarlosParada.
Já faz muito, mas muito tempo mesmo, que não sinto de maneira tão forte e eloquente -em meu coração- esta Força (energia, motivação) do Natal. Justamente neste ano de tantas dores e perdas, quando menos esperava que meu coração pudesse se alegrar e sentir a Força da Renovação, eis que brota com nova força o desejo de Renascer. Talvez tenha sido justamente a aceitação, do que a Vida me apresentou, sem maiores reclamações ou sentimentos de ter sido injustiçado, o que vem me possibilitando experienciar as Alegrias Natalinas.
E tudo isso me possibilita refletir a respeito da Educação do meu "Eu apequenado" (ego). Aliás, esta é uma das épocas mais propícias (sejamos cristãos ou não) para olharmos bem de perto para nós mesmos, especialmente para estas "estratégias de sobrevivência" (Claúdio Naranjo), denominadas ego. Diante das nossas dores passadas ou presentes só nos restam duas maneiras de encará-las: nos fazendo de vítimas (sendo esta a pior escolha) da Vida, dos outros, das circunstâncias, etc... ou percebendo os acontecimentos como resultado de nossas escolhas, de nossas ações (sem culpabilização de pais, mães, ou de si mesmo), e mais ainda: como excelentes oportunidades de nos transformarmos em pessoas melhores. O primeiro procedimento nos paralisa, o segundo nos possibilita crescer, libertando a nós mesmos dos nossos fantasmas, das nossas ilusões. O primeiro jeito de ver, representa o aprisionamento na "criança ferida", no passado de abandono, rejeição, exclusão, não atendimento de necessidades, de expectativas....o segundo o reconhecimento e aceitação daquela criança, mas o foco se deslocando para a "criança divina" (estas possibilidades de autocura; de autolibertação).
Este período natalino nos apresenta, de maneira bem forte, esta possibilidade de olharmos com carinho e respeito para nossa criança interior, sofrida, ferida, mas com o desejo de transcendê-la, superá-la, dando um passo adiante em nossas prisões. Nos desapegando de velhos padrões, rancores, mágoas, ressentimentos, e do hábito de cultivarmos sofrimentos.
O Mistério do Natal: a Divindade se Humanizando para que este Humano e precário que somos possa Divinizar-se. Trocando em miúdos: trata-se de fortalecer este Divino (esta criança sadia) que nos habita. Mas isto só é possível se colocarmos nosso ego (lembranças e vivências passadas, memórias de abandono e rejeição, reais ou imaginários, físicos ou emocionais; estratégias emocionais de sobrevivência) em seu devido lugar, como servidor daquele Eu Verdadeiro (self junguiano), Eu Divino, Eu Interior, aquela "parte" de nós que é Luz, é Sadia, Divina, Sagrada. Isso também significa que o Espírito se torne senhor da carne, pelo domínio das paixões (egóicas). Um bom começo é sempre, sobretudo em momentos de dúvida ou de grandes decisões, nos perguntarmos: quem em nós quer fazer isso ou aquilo? Quem em nós quer dizer isso ou aquilo? Quem está no comando? Se o que prevalesse é um sentimento de raiva, vingança, de emocionalismo, então estejamos certos de que o ego (medroso, ameaçado, inseguro, sedento de reconhecimento, apegado) está no comando. Se os sentimentos predominantes são de paz interna, serenidade, tranquilidade, é sinal de que o coração está no comando, o Eu Verdadeiro, nosso centro de equilíbrio, está governando.
Aproveitemos este Tempo forte de reeducação das emoções e dos sentimentos. Que a criança da manjedoura, humilde e simples, seja uma motivação para que nossa criança interior se desapegue de velhas amarras que a impedem de crescer.
Paz e Felicidades a todos.
Minha Gratidão,
CarlosParada.
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